5 dias de mordomia em Koh Phangan

Cris em Koh Phangan

Quando pensamos em viajar para a Tailândia a primeira imagem que vem à cabeça é a gente lá relaxando numa praia de areia branquinha, mar azul turquesa e sem ondas, calor o ano todo, paisagens de tirar o fôlego e a maravilhosa culinária tailandesa pra arrematar. Claro que a Tailândia é muito mais do que isso, mas nós, amantes de praia que somos, não poderíamos passar por lá sem curtir tudo isso.

Como o tempo era curto tínhamos que escolher uma das inúmeras ilhas paradisíacas que a Tailândia tem pra visitar. Escolhemos Koh Phangan e o motivo foi a Full Moon Party, além da ilha ser linda, é claro, mas isso todas são.

Surat Thani

Pelos nossos planos chegaríamos na ilha bem no dia da festa, mas chegamos a Surat Thani e já era noite, barcos pra Koh Phangan só amanhã, perdemos a Full Moon. :(

Então saímos pra dar uma volta da cidade, jantamos em um mercado de rua que acontece todas as noites, tipo uma feira gastronômica. Ali tivemos nosso primeiro contato com a comida de rua da Tailândia: espetinhos de tudo que se possa imaginar, saquinhos com coisas indecifráveis dentro, frutos do mar, gafanhotos, lesmas, tinha de tudo, claro que no meio disso ninguém falava inglês, estávamos zonzos até que conhecemos uma tailandesa, que na verdade mora na austrália, ela nos deu dicas preciosas e indicou a comida de uma senhora, segundo ela, o melhor pad thai de Surat Thani. Ela mesma fez o pedido pra gente, em tailandês, “tem que ser com ovo!” dizia ela, como que um alerta pra gente não deixar ninguém nos enganar.

Preço do jantar: 25 baht pelo pad thai e 20 pelo suco (US$1.40 no total).

Pad Thai

Na volta pro hotel mais um passeio e já começamos a perceber que a Tailândia é bem diferente da Indonésia. A começar pela produção das meninas na rua, maquiadas e bem vestidas, os homens também não ficam muito atrás, e a quantia de cachorros na coleira, desses pequeninos e peludinhos (!!) nem combinava com o lugar. Também percebemos que existem coisas que não importa o idioma que você fale, você vai reconhecer em qualquer lugar:

Pra não perdermos mais tempo, organizamos na própria recepção do hotel nossa ida pra Koh Phangan, compramos um “combo“, eles chamam de “joint ticket“, que incluía o transporte de barco pra ilha mais um ônibus que nos levaria até o lugar de onde sai o barco e um taxi ainda viria nos buscar de manhã cedo na porta do hotel. Foi a coisa mais cara que fizemos até agora: 470 baht por pessoa (US$14.50), e não vale a pena, dá pra ir de ferry, só fizemos isso porque queríamos ir o quanto antes.

Chegando em Koh Phangan + dia 1

Assim que o nosso barco, apinhado de turistas, aportou em Koh Phangan dezenas de pessoas se amontoavam com panfletos nas mãos tentando levar alguém para o “seu” resort. Era quase impossível passar, mas demos um jeitinho e paramos um pouco mais longe pra decidir pra que lado a gente ia. Turista olhando mapa é pedir pra ser abordado, e depois de explicar que tipo de lugar estávamos procurando e muita negociação (no preço do taxi e do resort), deixamos o taxista nos levar pro lugar que ele indicou. Preço do taxi até o resort: 150 baht por pessoa (US$4.65)

Veja o mapa de Koh Phangan.

Seguimos para Haad Yao, do lado oposto da ilha de onde acontece a Full Moon Party, era isso mesmo que queríamos, ficar em uma área mais sossegada e ir para o agito quando desse vontade. Passamos o primeiro dia/noite no Bounty Resort, aquele que o taxista devia ganhar comissão. Pelo preço (300 baht/dia por casal – US$9.25), o lugar nos surpreendeu, era bem ajeitadinho, com um jardim lindo, bungalows individuais, um restaurante bem agradável e piscina. Apesar de ser colado na praia, o acesso não era dos mais fáceis, era preciso descer um barranco pra chegar até a areia e acabamos nem indo até lá. O almoço no resort foi mais caro que o quarto: 320 baht (US$9.88), foi o primeiro e o último.

No mesmo dia o Felipe e o Pasqual já agilizaram o aluguel de duas motos pra que pudéssemos nos locomover na ilha. O próprio mercadinho em frente ao resort fazia isso e sim, aqui todos falam inglês. Com a moto ficou fácil de percebermos que Koh Phangan é praticamente uma ilha-resort, dificilmente se vê casas e estruturas para os moradores locais, é quase tudo voltado para os turistas.

Enquanto o Pasqual e a Ale ficaram conhecendo a praia de Haad Yao, eu e o Felipe pegamos a moto e fomos até Haad Rin, onde teria acontecido a Full Moon na noite anterior. Por incrível que pareça, no fim de tarde ainda tinha pessoas no ritmo da festa. A areia da praia coberta de lixo, pessoas dormindo, torradas do sol, foi uma cena meio deprimente. Demos uma voltinha na praia, que tem inúmeros bares, um colado no outro e não tinha mais muito o que fazer ali. Na saída encontramos um conhecido: um dos europeus que pegou o mesmo trem que a gente na Malásia… ele estava pra lá de Bagdá. E lembram do chileno que tinha cara de hippie na fila da imigração? Então.. ele tinha ido junto com esse cara na festa e agora estava na maior enrascada, tinha perdido o passaporte. Vish! Já imaginamos o que não foi essa festa!

Haad Rin depois da Full Moon Party

Na volta passamos por Thong Sala, a maior “cidade” da ilha e descobrimos que aqui também tem um mercado de comida de rua todas as noites, foi onde jantamos hoje e onde jantaríamos todas as noites que passamos em Koh Phangan. Com uma variedade enorme de opções, não tinha como enjoar: um dia era peixe (escolhido a dedo, fresquinho), no outro pad thai, no outro tom yum soup, a famosa sopa de frutos do mar apimentadíssima da Tailândia… Aqui gastávamos em média 50 baht por pessoa, incluindo bebida. (US$1.55)

Passamos a noite no Bounty Resort e no dia seguinte eu acordei coberta de formigas!! :shock:  Imagine o meu desespero, eu que já deitei em um formigueiro uma vez, tenho trauma! Mas quando percebi que essas eram bem miudinhas e não mordiam, minha preocupação passou pro computador, elas estavam por tudo! Ok, vamos procurar outro hotel.

Chaloklum Bay Resort – dias 2, 3, 4 e 5

Pegamos a motoca bem cedo e saímos em busca de outro resort. Já estávamos um pouco melhor informados e sabíamos que para o norte tinha praias bem lindas e foi pra lá que fomos, paramos em alguns resorts bem legais mas achamos os preços muito altos, mesmo sendo baixa temporada. Até que encontramos o Chaloklum, onde conseguimos negociar e chegar num preço dentro do que queríamos pagar – 500 baht por dia o bungalow pra dois (US$ 15.50), sem ar condicionado mas com ventilador.

Eu e o Felipe queríamos que nossa experiência na Tailândia fosse aquela da imagem paradísiaca que eu falei ali em cima, então achamos que valia a pena, o resort tinha uma prainha particular e uma piscina enorme que acabava quando começava a areia. Do nosso bungalow dava pra ver aquele mar azulzinho, enquadrado pelos coqueiros. Era mais caro que o outro sim, mas ainda assim achamos muito barato por tudo isso! Nós já estávamos decididos, agora era só convencer o Pasqual e a Ale a vir também, pois seria muito mais legal com eles junto. :D

Assim como no outro resort, o restaurante do Chaloklum também era caríssimo então nós comprávamos algumas coisas no mercado e prepáravamos umas comidinhas nós mesmos, tomávamos café da manhã na sacada do bungalow, o que era bem gostoso.

Dica: no 7-eleven tem uns pãezinhos que são uma delícia! (sim, tem 7-eleven por todos os lados na Tailândia)

Os dias que se seguiram foram assim, praia, piscina, passeios de moto, muito calor e muita chuva. Tudo de bom! Ter ido na baixa temporada teve a vantagem de conseguirmos preços mais em conta e a ilha não estar tão cheia de turistas, mas por outro lado pegamos chuva a maior parte do tempo. Também tivemos dias de sol e mesmo com chuva é gostoso, pois o calor é constante. Pra entender isso tudo é melhor fotos do que palavras:

Piscina do resort

Vista do nosso bungalow

Fe na moto | chuva chuva chuva

Chaloklum bay

Em uma das noites eu e o Felipe fomos na Moon Set Party, no Pirates Bar, que fica em Haad Chao Phao. O Pasqual e a Ale, dois velhos que são, ficaram dormindo. A Moon Set acontece normalmente 3 dias antes e 3 dias depois da Full Moon. O Pirates Bar é um lugar bem pequeno, encostado numa pedra, com uma prainha minúscula na frente, é meio escondido, difícil de achar de noite, mas super legal o lugar! Eu adorei. Uma pena que a música não fosse tão boa quanto o ambiente, na verdade achamos o dj bem ruim, mas mesmo assim nos divertimos bastante observando os jeitos diferentes do povo dançar, sendo que tinha gente de tudo que é canto do mundo ali.

Acabou a mordomia, daqui seguiríamos pra Bangkok. Compramos uma passagem de ônibus – dessa vez o do governo mesmo, não o de turistas. Pegamos o ônibus dentro da ilha, ao lado do porto, atravessamos com ônibus e tudo de ferry, o que foi ótimo, pois as malas já ficam lá dentro do ônibus e não precisamos nos preocupar. Foi bem mais barato do que o tal combo turístico que todos tentam te empurrar e super fácil de comprar. Um táxi também veio nos buscar no resort, tudo incluso.

Dicas de Koh Phangan:

  • Pra quem está na economia, é melhor ir de ferry do que no esquema combo pra turista
  • Se você não quer agito 24hs e quer praias lindas, ficar na parte norte da ilha é uma ótima opção. Tem, inclusive, escolas de mergulho lá – Veja de novo o mapa aqui
  • Tem resort que não acaba mais na ilha, pesquise e negocie sempre
  • O night food market de Thong Sala é imperdível, comida deliciosa e bem baratinha
  • Em Thong Sala também tem inúmeros lugares que dá pra assistir lutas de boxe tailandês, tudo meio improvisado, nós não fomos a nenhuma
  • Alugar uma moto não é caro e vale a pena, a não ser que você pretenda ficar só dentro do resort (taxis são sempre caros)
  • Negocie tudo, não existe preço tabelado
  • De Koh Phangan é bem fácil pegar um barco pra Koh Tao e pra famosa Koh Samui, vale reservar uns dias a mais pra fazer isso, nós não tivemos tempo
  • Ir em baixa temporada (outubro a dezembro) vale a pena porque tem bem menos gente e tudo fica mais barato, mas espere pegar bastante chuva.

11 comments

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    • Du disse:
    • 20 junho, 2010 em 12:42 pm

    Uhuuu! Adorei! post grandão, dicas ótimas! Queria ter esse espírito e fazer um blog da nossa viagem tb… Fico sempre contente quando vejo no Facebook “novo post no NPLH”!
    bjssssssssssss

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      • Cris disse:
      • 20 junho, 2010 em 2:10 pm

      Faça, faça, faça! :D

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    • RafaBonatto disse:
    • 20 junho, 2010 em 11:38 pm

    q vidinha marromeno hein!!! Pra variarr… mais um post show!!
    Queria ter vindo antes pra NZ dae teria embarcado nessa com voces!! quem sabe na proxima!

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      • Cris disse:
      • 21 junho, 2010 em 1:29 am

      Certeza, Rafa! Viagens não vão faltar. E tem muita NZ pra conhecer ainda também né?!

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    • Oscar disse:
    • 21 junho, 2010 em 2:38 pm

    A Tailandia e uma pais realmente fascinante, suas dicas sao otimas e concordo com todas elas :D
    Adorando esses Posts dessa viagem
    Boa semana para vcs

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      • Cris disse:
      • 22 junho, 2010 em 9:28 am

      É mesmo, Oscar. Agora escrevendo sobre isso morro de vontade de voltar pra lá! É muito bom.

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    • lorraine disse:
    • 3 julho, 2010 em 9:21 am

    Que lugar lindo!é sempre bom ” viajar” com vocês..entao..q venha logo o proximo post!

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      • Cris disse:
      • 3 julho, 2010 em 1:20 pm

      :D Obrigada, Lorraine.

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    • Fabiana disse:
    • 10 fevereiro, 2013 em 2:28 pm

    Oi Cris,
    Adorei as dicas!!
    Estou indo p Tailândia em maio. Vc reservou os hotéis? ou foi na sorte la?

    bjos.

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      • Cris disse:
      • 5 março, 2013 em 9:09 pm

      Oi Fabiana,
      Que bom que gostou!! Obrigada! :)
      Não reservamos nada não.. chegamos lá e fomos procurar tudo na hora. Preferimos assim porque isso nos dá chance de ver os lugares e de negociar os preços cara a cara – no sudeste asiático você sempre consegue negociar!
      Boa sorte lá, a Tailândia é incrível!! xx

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