Pensamentos e sentimentos em Sydney

Tenho alguns amigos que vieram pra Sydney e se apaixonaram pela cidade. Não foi um nem dois, foram vários que moraram em Sydney ou vieram a passeio e voltaram contando que a cidade é tudo de bom. Eu não posso dizer que penso diferente de nenhum deles. Sydney é mesmo maravilhosa.

Os quatro dias que passamos em Sydney foram um troca-troca de impressões e pensamentos, foi até engraçado ver como desde o primeiro minuto estávamos tentando formar nossos conceitos sobre a cidade, mas no minuto seguinte esse conceito era substituído por outro e foi assim até o fim do quarto dia. Talvez porque Sydney não seja apenas uma cidade, mas várias cidades dentro de uma.

Em um primeiro momento achamos tudo muito parecido com a Nova Zelândia, as ruas, as lojas, o estilo de vida e cultura do povo, e não entendíamos o deslumbramento dos nossos amigos. Ao fim do primeiro dia de “day-tripper” percebi que sim, os australianos são mesmo irmãos dos neo-zelandezes, mas Sydney é a irmã mais velha, bem sucedida, estonteantemente linda, aquela que as irmã menores querem ser quando crescer.

Se Sydney pode ser uma Auckland quatro vezes amplificada, como eu disse no post anterior, só mesmo se for quando é vista de cima. Vistas de dentro as duas cidades são muito diferentes. Sydney é imensa., existem pontos do centro da cidade que chegam a lembrar São Paulo. Mas é limpa, organizada e segura.

Tem mar pra todos os lados, como Auckland, mas tem água por dentro também, tem água por tudo, o que faz dela ainda mais linda e que também permite que cada bairro pareça uma pequena cidade com seus mercados, suas praias e seus habitantes. E acho que são justamente esses habitantes que diferenciam Sydney de Auckland, apesar de ser muito maior em tamanho e importância, as pessoas estão nas ruas de Sydney, nos barcos, nos ônibus, nos trens.. Tanto no centro quanto nos bairros vimos sempre muita gente andando nas ruas, indo pro trabalho, pra escola, passeando ou se exercitando, as ruas estão sempre cheias de gente. A cidade não é feita apenas pra carros. Fiquei muito impressionada com o sistema de transporte público, é possível ir de qualquer lugar para qualquer lugar usando os ferries, trens e ônibus da cidade, sem se perder, além de que andar a pé por lá é uma delícia.

As praias têm areia fininha, água gelada e ficam bem atrás da Nova Zelândia quando trata-se de beleza. São lindas, claro, o mar é azul e verde, mas são praias como qualquer outra. Ok, talvez eu é que esteja mal acostumada com as paisagens de cair o queixo da Nova Zelândia. E por outro lado são praias que as pessoas usam e muito, provavelmente porque o clima daqui permita que exista essa “vida de praia”, ponto pra Austrália.

A ida ao museu australiano deu um nó na minha cabeça. A exposição sobre a história dos povos indígenas da Austrália, suas crenças, costumes, a ligação com a terra e a história recente do que o homem branco fez com eles, me deixou com os olhos cheios de lágrimas e coração apertado.

Eu já conhecia a história por cima, por notícias nos jornais e por ouvir as pessoas comentarem, mas ver aquilo tudo em detalhes, ouvir os depoimentos de aborígines da chamada “geração roubada” e ler, ali na parede do museu, citações de pessoas dizendo que apesar do pedido de desculpas do ano passado o racismo ainda está vivo na Austrália, me fez ver a real dimensão de um problema que não é mostrado nas ruas da cidade, muito menos nas conversas entre amigos.

No museu vimos muitas coisas sobre a fauna australiana que foi muito legal, o museu é ótimo! Desde que cheguei na Austrália eu queria ver koalas e cangururs, ao vivo e vivos, porém depois de ir ao museu essa vontade foi embora.

Cheguei em casa e fiquei refletindo sobre o assunto. Pensava sobre a primeira vez que fui ao Te Papa, o museu nacional da Nova Zelândia em Wellington, e como a história da colonização e dos Maoris lá é diferente.

E pensei em nós, brasileiros, o que fizemos e como tratamos os nosso índios. Não somos assim tão diferentes deles. Bem… talvez sejamos… o governo do Brasil ainda não pediu desculpas.

Claro que as histórias do Brasil e da Austrália são muito diferentes e talvez eu nem possa comparar. E é claro que alguns dias no país não são suficientes pra formar a minha opinião a respeito disso, eu precisaria viver anos por aqui pra entender… e por isso mesmo prefiro não entrar em maiores detalhes. Mas achei que seria importante registrar essa primeira impressão, até porque ela pode mudar no futuro, quando eu passar a compreender melhor e quando os eforços que eles parecem estar fazendo pra melhorar comecem a fazer efeito na sociedade.

Sydney continua no meu pensamento como aquela cidade linda de morrer, já estou com saudades da Fer e do alto astral do dia-a-dia de lá… continuo encantandíssima pela cidade, pelo sol, pelo mar, pelo movimento organizado, pela multi-culturalidade e pensando que deve ser muito legal morar lá. Quem sabe um dia a gente vai. :)

  1. I heart sydney. I’d live in two places in australia: sydney and perth (which is a shame that you didn’t like it!)

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    • Anthony disse:
    • 18 setembro, 2008 em 2:26 pm

    Oi,

    Tudo bem, eh

    I went to Parque Barigui while in Curitiba the very next day after arriving. Went jogging around the park with my friend. Good times, good times.

    Chau, cuidense

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  2. I want to go to Sydney! I love this post, its such a great glimpse into the city.

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    • carlos fernando jorge disse:
    • 8 outubro, 2008 em 1:02 am

    Cris
    A paixão é antiga. Se você se concentrar bem, fizer uma meditação profunda, talvez consiga recordar o tempo em que viveu nestas ilhas, num passado muito remoto, vida esta em que você foi muito feliz.
    Aproveitem.
    Abraços do Carlos e Rita

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    • Cris disse:
    • 11 outubro, 2008 em 2:44 am

    Oi Carlos e Rita,
    Que lindo o cometário, obrigada!! Legal ter vcs por aqui!
    Só fiquei em dúvida se vcs estão se referindo à Austrália ou a Bali…
    Eeee curiosidade.. acho que preciso me concentrar mais. :)

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    • Mark H disse:
    • 30 outubro, 2008 em 4:06 pm

    It is great to read such a well-thought view of your home city. We do have many things to be proud of, but we still have our issues too.

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