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No Place Like Here - Cris and Felipe Round the World

Nos vemos em breve Bali

Nós saímos de Bali felizes, muito mais leves e bronzeados do que entramos e com a tranquilidade da certeza de que ainda vamos voltar pra esse lugar mágico.

O Felipe com sua coleção de machucados: a queda de moto que rendeu uma infecção, a prancha que cortou sua cabeça e um “Bali kiss” - queimadura comum no cano de escape da moto. As pessoas dizem que ele devia ter um “karma” com a ilha, eu acho que depois disso tudo a dívida deve estar paga! Outra teoria é que ele já usou toda a “cota de azar” dele da viagem nesse mês, então de agora em diante é só alegria! Eu gosto dessa segunda… e espero que a minha “cota de azar” nem exista. hehe

Eu com minha nova paixão, que mais tarde, no Brasil, meu amigo Carlos explicou que de nova ela não tem nada, a história de amor é antiga, e isso me deixa ainda mais encantada.

Na última semana que passamos no Bukit pudemos ver que a maioria dos surfistas que vêm pra Bali saem do aeroporto direto pra Ulu Watu ou Padang Padang, passam um, dois meses aqui surfando e voltam pra casa sem conhecer Bali. Vimos e ouvimos muitos brasileiros e australianos, falando línguas diferentes mas vestindo as mesmas marcas e se comportando de maneiras bem parecidas.

Fico feliz por termos tido uma experiência diferente da dessas pessoas, por ter ao meu lado um surfista que veio para a Indonésia sonhando com as ondas mas também adorou passar uma semana inteira na incrível Ubud, longe do mar.
Eu mesma, louca por praia que sou, me surpreendi ao perceber que apesar do calor e do mar azul turquesa, a praia não é o melhor de Bali. Aprendi duas coisas que antes eu nem sabia que existiam: um idioma novo e um tipo de energia que faz você acordar às 6hs da manhã sorrindo todos os dias.

Aline e Luiz Pasqual e Ale

Foi um mês incrível. Agradecemos ao Luiz e à Aline pela recepção em Sanur e por todas suas ajudas e dicas! A companhia do Pasqual e da Ale foi mais do que especial o tempo inteiro, sem eles não teria sido a mesma coisa. Se eu já sabia que amava esses dois, agora amo ainda mais.

Saímos de Bali com a sensanção de que um mês foi o tempo ideal. Já estamos com vontade de entrar no avião em direção ao próximo destino.
A passagem pra Cingapura não fazia parte do pacote “Round the World”, e a mais barata que encontramos foi pela JetStar Asia - US$ 130 cada - um vôo de 2hs apenas, o avião era antigo, com bancos de couro nada confortáveis e sem direito a petiscos, mas eram 10hs da noite e eu estava tão cansada que fui dormindo o tempo inteiro mesmo assim.

**Dica: é preciso pagar uma taxa de saída de 150mil rúpias no aeroporto. Nós já tínhamos passado pelo raio-x da polícia e tudo quando descobrimos isso e o Felipe teve que sair do aeroporto pra poder sacar o dinheiro.

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De volta à pequena capital

Oriental Bay - Wellington

Antes de continuar as histórias da volta ao mundo quero dar um rápido “update” de onde estamos agora e o que temos feito.

Estamos de volta a Wellington (NZ) há dois meses e meio mas já estamos tão assentados que parece que faz muito mais tempo que isso!

Na primeira semana, ainda de férias, conseguimos pegar um restinho de verão e aproveitar a praia por aqui. Mas em seguida o inverno se apressou e passou por cima do outono. Aquele outono, que geralmente é ótimo em Wellington, seco, ensolarado e de pouco vento simplesmente não existiu esse ano… o inverno veio com tudo, ventos fortes geladíssimos e chuva, muita chuva. Confesso que isso tem sido um tanto deprimente ultimamente.

Já temos a nossa casinha (que eu adoro!), eu estou de volta ao meu emprego antigo e o Felipe começou em um emprego novo… com isso já caímos na rotina casa-trabalho-casa… o que é um pouco esquisito e às vezes pode ser meio chato, principalmente depois de 7 meses sem saber o que é rotina.

Ainda não temos carro,  mas sempre que possível alugamos um e fugimos pra algum lugar nas redondezas pra mudar um pouco a paisagem, geralmente vamos para Wairarapa, onde o Fê e o Otávio vão surfar.

Ah, Otávio é o irmão do Felipe (e oficialmente meu cunhado agora.. hehe), ele está morando com a gente há 1 mês e meio, o que está sendo bem legal.
Ele chegou no feriado de Páscoa, nós fomos até Auckland buscá-lo e seguimos por um “tour” pela Ilha Norte que eu vou contar e colocar as fotos aqui depois .
Ele é oceanógrafo e mês que vem ele sai daqui de casa pra participar de um estágio/treinamento de 6 meses com construção de recifes artificiais em outras cidades da Nova Zelândia.

Já deu pra matar as saudades da NZ, dos amigos daqui e até coceira pra começar a planejar a próxima viagem.
Mas calma, antes vou terminar de contar o que aconteceu na última. :)

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Bukit Peninsula, a meca do surf


No mundo do surf a busca da onda perfeita é como uma peregrinação que todos os anos faz surfistas de todo o mundo se deslocarem centenas ou milhares de kilometros longe do seu lugar de origem. Bukit provavelmente seja o destino de surf mais famoso da Ásia e naturalmente a economia da região gira em torno disso, você vê surf shops, fotógrafos, surf camps, oficinas de concerto, viagens de barco, restaurantes, música e é claro surfistas de todos os cantos do mundo, América do Sul e do Norte, Europa, Ásia, África e Oceania, todos em busca do sonho da onda perfeita.

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Nós não abandonamos o blog, só demos uma pausa para viajar

Sim, nós já estamos no Chile, há quatro dias de terminar nossa viagem. Nos últimos 5 meses passamos pela Indonésia, Cingapura, Malásia, Tailândia, Hong Kong, Índia, Inglaterra, França, Espanha, Marrocos, Brasil e Peru.. Enquanto isso o NPLH está parado em Lombok. Mas por que paramos de escrever?? Ai vão alguns motivos:

  • Quando resolvemos dar essa pausa já estávamos um mês atrasados na nossa viagem.
  • Temos muitas fotos (muitas mesmo!), e selecionar as melhores para os nossos posts não é tarefa das mais simples
  • Levamos em média 4 horas para escrever, traduzir, corrigir, diagramar e selecionar imagens para cada post e acreditem, parar durante 4 horas não cabia na nossa agenda, que era sempre cheia em cada um dos lugares.
  • Passamos por muitos lugares remotos como Sul de Lombok,  Deserto do Rajastão, Cordilheira do Himalaia, Deserto do Saara, etc. e nesses lugares quando havia internet (o que era bem raro!), ela era cara, lenta e de difícil acesso. Isso acabava nos atrasando mais ainda.
  • Tentávamos tirar o atraso escrevendo mais rápido e acabávamos produzindo algo que não nos satisfazia completamente.
  • Não fazia sentido estar viajando pelo deserto da Índia e escrevendo sobre as praias paradisíacas da Tailândia.

Depois de pensar muito decidimos que seria melhor esquecer a internet, aproveitar a nossa viagem, tirar muitas fotos e anotar os dados importantes no nosso caderninho. Depois quando terminássemos a viagem poderíamos rever todas as informações, dedicar mais tempo e escrever com mais calma algo que fosse ao mesmo tempo relevante para nós e útil para os que nos leêm.

Por isso sim, estamos super desatualizados.. mas estamos vivos e felizes da vida.. e de jeito nenhum vamos deixar de contar nossas histórias em detalhes. Desde o calor infernal de Cingapura, os trens da Malásia e da Tailândia com direito a gafanhotos fritos e militares armados nas ruas.. passando pelas praias de Ko Phagnan e a loucura de Bangkok, os 3 dias em Hong Kong e o melhor mês de todos na Índia, que não seria o mesmo sem a companhia do Duda (irmão da Cris) e da Drica que estão morando por lá e nos levaram aos lugares mais incríveis de um país que mais parece outro planeta.. as visitas aos amigos que moram na Europa, as duas intensas semanas no Marrocos, sem saber falar nem francês nem árabe. A chegada ao Brasil depois de 2 anos fora.. o Rio de Janeiro, que está mais lindo do que nunca… os dois meses em casa, Curitiba e litoral, com nossas famílias e amigos.. Natal, Ano Novo, o nosso casamento.. E por fim a espetacular Cordilheira dos Andes no Peru, onde estamos agora.. amanhã estaremos no Chile e semana que vem de volta a Wellington, nossa casa na Nova Zelândia, onde enfim vamos organizar todas as fotos e informações.. nada mais propício do que o inverno Neo-Zelandês para sentar na frente do computador e contar histórias!

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Em Lombok durante o Ramadan

Ferry de Padangbai (Bali) a Lembar (Lombok)

Segundo informações do oficial do terminal de embarque o Ferry saía de 90 em 90 minutos e levava 5hs até Lembar, em Lombok, uma das ilhas de Nusa Tenggara, Indonésia. Primeira lição de Lombok: as coisas aqui nem sempre são como eles dizem. Chegamos no terminal às 9hs da manhã e ficamos na fila de motos esperando para embarcar por 2 horas e meia. Quando chegamos tinha um Ferry atracado, que saiu e uma pequena fila ficou. Depois de muito tempo chegou outro Ferry, baixou a porta, levantou a porta, todos na fila se prepararam, colocaram capacetes, ligaram as motos, mas ninguém embarcou e o navio foi embora mais uma vez. Só às 11:30 pudemos embarcar em um Ferry, com outras inúmeras motos, caminhões e carros. Debaixo do calor de meio dia, o Ferry ainda demorou quase uma hora pra sair do lugar. 5 horas de viagem… saindo meio-dia e meia.. nossas esperanças de chegar em Lombok e pegar estrada ainda de dia já tinham ido pelo ralo.
Durante toda essa espera vários vendedores muuuuito insistentes tentavam nos convencer a comprar seus produtos, de óculos escuros a nasi campur pra viagem (arroz frito com carne de porco e frango). Em uma situação normal talvez tivéssemos ficado irritados com isso, mas ali na fila, onde não tínhamos mais o que fazer a não ser esperar, foi até divertido.

O Ferry é enorme, tem vários tipos de acentos, e as 5hs dentro dele até que foram tranqüilas, apesar de já ali sentirmos a diferença de comportamento das pessoas de Lombok pras de Bali. A sensação de segurança e tranqüilidade que tínhamos em Bali já começou a mudar na própria fila do embarque, pela primeira vez desde que saí da NZ fiquei preocupada com a mochila nas minhas costas enquanto eu esperava sentada na moto. Durante a viagem, não deixamos por um minuto que fosse as mochilas no banco sem que algum de nós 4 estivesse cuidando. É difícil explicar essa sensação de insegurança, como ela vem e porque ela vem assim de repente, mas vindo do Brasil sabemos bem como essas coisas funcionam, sentimos a ameaça no comportamento, no olhar das pessoas. Quando estávamos atracando em Lombok um grupo de meninos pulou pra dentro do Ferry, começou a andar por tudo falando alto e passando pelo meio das pessoas, um deles parou logo atrás de mim e pode até ter sido um pouco de paranóia brasileira, mas achei melhor me encostar na parede e evitar que ele pudesse abrir minha mochila.

O banheiro do Ferry também vale a pena lembrar… era daqueles de se agachar, com lugar pra colocar os pés, um baldinho mergulhado na água pra dar a descarga.. até aí tudo bem, nada que eu não estivesse esperando… outra lição que eu já tinha aprendido em Bali é sempre carregar papel higiênico na bolsa.. eu só não estava preparada pro chão alagado e uma torneira pingando a 30cm do meu pé, fazendo a “água” do chão espirrar na minha perna a cada pingo.. nem pra conseguir mirar o buraco do vaso com o barco chacoalhando pra lá e pra cá.. Mas deu tudo certo no fim das contas… devia ter tirado uma foto daquele banheiro…

A saída do Ferry foi o próprio inferno… o Felipe e o Pasqual tinham ido na frente tirar as motos enquanto eu e a Ale saímos depois a pé. Não tinha uma saída pra pedestres e tivemos que descer e sair andando no meio dos caminhões, respirando fumaça de diesel num lugar fechado e escuro… quando enfim saímos encontramos o Felipe e o Pasqual nas motos já impacientes com a multidão em volta deles… subimos nas motos e saímos sem saber muito bem pra que lado ir, até achar um lugar mais calmo pra parar e olhar o mapa.

Primeiras impressões de Lombok

Lombok, como a grande maior parte da Indonésia, tem como religião predominante o Islamismo e nós chegamos lá durante a última semana do Ramadam, o mês sagrado de purificação muçulmano. Eu entrei no Ferry vestindo saia e blusinha de alcinha e saí vestindo calça e um chale enrolado no ombro.. que eu só me senti à vontade pra tirar depois de chegar no hotel. Vimos muitas mulheres usando véu na cabeça e nenhuma, absolutamente nenhuma, muçulmana ou não, com os ombros de fora. Segunda lição de Lombok: o astral aqui é bem mais tenso.

Nosso destino era Kuta, uma praia ao sul de Lombok que, além do famoso Desert Point, é a região onde tem as melhores ondas da ilha e tem também uma certa estrutura pra turistas (hotéis, restaurantes, etc.).  Tudo que tínhamos era o mapa do Lonely Planet e algumas poucas dicas que o Luís nos deu. É muito fácil de se perder, as estradas são confusas e tem  muito pouca sinalização. Paramos várias vezes para pedir informações, todos foram sempre muito prestativos, mas não falavam inglês… então nós perguntávamos em Indonesiano como ir até Kuta, ou até a próxima cidade que tinha no mapa, e tentávamos interpretar os gestos da resposta, indicando a direção. Logo nas primeiras paradas já aprendi a terceira lição de Lombok: mulher não fala com homem. As poucas vezes que tomei a iniciativa pra perguntar alguma para um homem, ou ele me ignorou completamente ou me olhou com repreensão… ok.. não estamos mais em Bali, de agora em diante nada de sorrisos ou conversas, deixe que os meninos falem… a não ser que a iniciativa parta da outra pessoa de vir falar comigo.

De Lembar a Kuta levamos em torno de 2 horas de viagem. Poderia ter levado a metade do tempo se não tivéssemos nos perdido de noite no meio do nada e sem ninguém pra pedir informação.. e principalmente se as estradas não fossem tão esburacadas.. Tem um trecho que não existe estrada, só buracos.. Parece que estão construindo uma estrada paralela que é pra ser boa, mas não vimos nenhum sinal de obras e tem até algumas casas no meio do caminho de onde deveria ser a estrada.. Enquanto isso o jeito foi passar pelos buracos mesmo.. Minha bunda e minhas costas nunca sofreram tanto!!
Vimos um acidente de moto no meio do caminho.. Por aqui ninguém usa capacete (que é obrigatório em Bali), não vimos policiais de trânsito em lugar nenhum, vimos famílias inteiras em cima de uma moto, pai, mãe e dois filhos, e os adolescentes gostam de correr com as motos.. Quarta lição de Lombok: aqui não é tão divertido andar de moto. Gostaríamos de ter visitado outras partes da ilha, ir até Gili Islands, mas devido ao empenho e ao tempo de estrada, acabamos ficando só pela parte sul.
Passamos por vários vilarejos no caminho, tudo muito pobre.. Lombok parece estar abandonada pelo governo da Indonésia… casebres de madeira e bambu com telhado de palha, muito lixo por tudo, crianças brincando em cima do lixo..

A pousada perdida

Quando enfim chegamos a Kuta eram umas 8hs da noite, pela primeira vez tínhamos reservado nossa estadia.. De Bali ligamos pra duas pousadas que o Luís conhecia, e as duas estavam lotadas.. Então ligamos para outra que estava no guia, e enfim conseguimos reservar dois quartos por um preço não absurdo.. O lugar se chamava “Melon Homestay” e as indicações do guia não eram muito precisas.. Demos algumas voltas por Kuta (que não é muito grande) e não encontramos, estávamos super cansados.. então paramos em um restaurante pra perguntar… Opan, o menino que trabalha nesse restaurante, foi quem nos salvou essa noite. Ele nos levou até o Melon Homestay pessoalmente, chegando lá o cara que atendia mal falava inglês e ele ficou nos ajudando a traduzir até que entendemos que não tinha quarto pra gente. Eles tinham reservado dois quartos que eles achavam que as pessoas iam sair naquele dia, mas não saíram.. Então não tinha vaga. O Pasqual queria ficar discutindo e brigando com o cara da pousada, eu já estava tão cansada que só queria encontrar outro lugar pra largar as malas, comer alguma coisa e dormir. Lembrando da primeira lição: as coisas nem sempre são como eles dizem, especialmente no Melon Homestay. Então o Opan nos levou até outra pousada que tinha quartos vagos, mas achamos que eles pediram muito caro pelo quarto que estavam oferecendo e que ninguém gostou.. Então o Opan disse “ok, vou levar vocês num lugar que vocês vão gostar do quarto e do preço”.. e não deu outra, finalmente achamos o “Segare Anak”, um hotel na frente da praia com quartos simples (chuveiro frio), um restaurante na frente e uma piscina nos fundos por 80,000 rúpias (aprox. US$8,00) por dia, incluindo café da manhã… e o pessoal que trabalha lá são todos muito gente fina.. pra que mais que isso? Passamos os nossos 5 dias de Lombok hospedados lá.

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