Tributo aos meus vintes

Alto Paraíso, Brasil, 07.2005.
Hoje é o último dia dos meus “vintes” e ontem assisti a um filme chamado “7 coisas pra fazer antes dos 30″. A personagem fez uma lista dessas 7 coisas quando ainda era adolescente e 1 mês antes de fazer 30 anos ela acha a lista e percebe que não fez nada do que gostaria de ter feito, então começa a correr atrás do prejuízo.
O filme é uma porcaria, nem perca tempo assistindo, mas foi inevitável eu ficar pensando no que teria na minha lista, caso eu tivesse feito uma, e se eu teria conseguido fazer tudo o que eu gostaria até.. ahm.. o dia de hoje.
Não consegui lembrar de nada que eu gostaria de ter feito mas não fiz. Pelo contrário, quando penso em como foram os meus vintes vejo uma década muito mais rica de acontecimentos do que eu poderia imaginar lá atrás.
Foi uma década cheia de experimentos, eu diria. Experimentos de todos os tipos, com o corpo, com a mente, com o coração, com a vida.
Foi durante os meus 20 anos que eu me formei em design, depois de trancar o curso 3 vezes e quase desistir, com muita insistência (e brigas) do meu pai, enfim terminei. Pai sempre tem razão!
Foi também durante meus vintes que tive meu primeiro namorado de verdade, e foi ainda nos vintes, 9 anos depois, que eu casei com ele. E eu que nunca pensei que um dia fosse casar…
Comprei meu primeiro carro, abri duas empresas, minha vida se misturou com o trabalho, os funcionários, os clientes, e quando o lado profissional começou a dar resultados, o lado pessoal falou mais alto. Vendi tudo o que tinha, saí da casa dos meus pais e me mudei pra Nova Zelândia. Aquela ilha no cantinho do mapa mundi, onde falam um idioma diferente do meu, é mais barato comprar outro carro mas muito mais caro comprar comida. Onde descobri o que é sentir saudades sem necessariamente ficar triste e a andar na rua sem sentir medo.
Foi também nessa década que alguém me ameaçou com um revólver apontado pra minha cabeça só pra conseguir levar a minha bolsa e que eu passei um dia na cadeia, presa.
Que saltei, só eu e o paraquedas, no centro de Curitiba – coisa que é proibida hoje em dia pra estudantes. Isso depois de ter virado a noite em uma festa rave. E falando em festa, foi nessa década também que passei uma semana acampada dentro de um festival de música eletrônica na Chapada dos Veadeiros e outro em uma ilha minúscula do Rio de Janeiro – a melhor festa que já fui até hoje.
Foi com vinte e tantos anos que pela primeira vez na vida eu consegui sentar de pernas cruzadas como índio, depois de tomar outra decisão que também mudaria minha vida: colocar uma prótese de quadril.
E foi no último ano desses vintes, pra fechar com chave de ouro, que realizei um sonho que eu nem sabia que tinha e passei meio ano viajando pelo mundo. Vendo, ouvindo, cheirando, sentindo, conhecendo, tentando entender, experimentando.
Com certeza esse post esqueceu de muitas outras coisas importantes (ou não quis contar hehe) e que algumas pessoas vão ler e lembrar. Ah, essas pessoas que eu aprendi a reconhecer como a coisa mais importante da vida!
Não, definitivamente não tenho uma lista de coisas que faltaram fazer antes dos 30. Até pensei em criar uma lista de coisas pra fazer antes dos 40… outra volta ao mundo, que mais… mas pensando bem, que bobagem!
Viver é o melhor jeito de fazer as coisas acontecerem, e que a próxima década seja como foi a última, cheia de surpresas deliciosas.
Eu não quero saber nem como vai ser o dia de amanhã, só quando ele chegar é que eu vou poder contar o que é ser uma mulher de 30.
Nos vemos em breve Bali

Nós saímos de Bali felizes, muito mais leves e bronzeados do que entramos e com a tranquilidade da certeza de que ainda vamos voltar pra esse lugar mágico.
O Felipe com sua coleção de machucados: a queda de moto que rendeu uma infecção, a prancha que cortou sua cabeça e um “Bali kiss” – queimadura comum no cano de escape da moto. As pessoas dizem que ele devia ter um “karma” com a ilha, eu acho que depois disso tudo a dívida deve estar paga! Outra teoria é que ele já usou toda a “cota de azar” dele da viagem nesse mês, então de agora em diante é só alegria! Eu gosto dessa segunda… e espero que a minha “cota de azar” nem exista. hehe
Eu com minha nova paixão, que mais tarde, no Brasil, meu amigo Carlos explicou que de nova ela não tem nada, a história de amor é antiga, e isso me deixa ainda mais encantada.

Na última semana que passamos no Bukit pudemos ver que a maioria dos surfistas que vêm pra Bali saem do aeroporto direto pra Ulu Watu ou Padang Padang, passam um, dois meses aqui surfando e voltam pra casa sem conhecer Bali. Vimos e ouvimos muitos brasileiros e australianos, falando línguas diferentes mas vestindo as mesmas marcas e se comportando de maneiras bem parecidas.
Fico feliz por termos tido uma experiência diferente da dessas pessoas, por ter ao meu lado um surfista que veio para a Indonésia sonhando com as ondas mas também adorou passar uma semana inteira na incrível Ubud, longe do mar.
Eu mesma, louca por praia que sou, me surpreendi ao perceber que apesar do calor e do mar azul turquesa, a praia não é o melhor de Bali. Aprendi duas coisas que antes eu nem sabia que existiam: um idioma novo e um tipo de energia que faz você acordar às 6hs da manhã sorrindo todos os dias.

Foi um mês incrível. Agradecemos ao Luiz e à Aline pela recepção em Sanur e por todas suas ajudas e dicas! A companhia do Pasqual e da Ale foi mais do que especial o tempo inteiro, sem eles não teria sido a mesma coisa. Se eu já sabia que amava esses dois, agora amo ainda mais.
Saímos de Bali com a sensanção de que um mês foi o tempo ideal. Já estamos com vontade de entrar no avião em direção ao próximo destino.
A passagem pra Cingapura não fazia parte do pacote “Round the World”, e a mais barata que encontramos foi pela JetStar Asia – US$ 130 cada – um vôo de 2hs apenas, o avião era antigo, com bancos de couro nada confortáveis e sem direito a petiscos, mas eram 10hs da noite e eu estava tão cansada que fui dormindo o tempo inteiro mesmo assim.
**Dica: é preciso pagar uma taxa de saída de 150mil rúpias no aeroporto. Nós já tínhamos passado pelo raio-x da polícia e tudo quando descobrimos isso e o Felipe teve que sair do aeroporto pra poder sacar o dinheiro.
De volta à pequena capital
Oriental Bay – Wellington
Antes de continuar as histórias da volta ao mundo quero dar um rápido “update” de onde estamos agora e o que temos feito.
Estamos de volta a Wellington (NZ) há dois meses e meio mas já estamos tão assentados que parece que faz muito mais tempo que isso!
Na primeira semana, ainda de férias, conseguimos pegar um restinho de verão e aproveitar a praia por aqui. Mas em seguida o inverno se apressou e passou por cima do outono. Aquele outono, que geralmente é ótimo em Wellington, seco, ensolarado e de pouco vento simplesmente não existiu esse ano… o inverno veio com tudo, ventos fortes geladíssimos e chuva, muita chuva. Confesso que isso tem sido um tanto deprimente ultimamente.
Já temos a nossa casinha (que eu adoro!), eu estou de volta ao meu emprego antigo e o Felipe começou em um emprego novo… com isso já caímos na rotina casa-trabalho-casa… o que é um pouco esquisito e às vezes pode ser meio chato, principalmente depois de 7 meses sem saber o que é rotina.
Ainda não temos carro, mas sempre que possível alugamos um e fugimos pra algum lugar nas redondezas pra mudar um pouco a paisagem, geralmente vamos para Wairarapa, onde o Fê e o Otávio vão surfar.
Ah, Otávio é o irmão do Felipe (e oficialmente meu cunhado agora.. hehe), ele está morando com a gente há 1 mês e meio, o que está sendo bem legal.
Ele chegou no feriado de Páscoa, nós fomos até Auckland buscá-lo e seguimos por um “tour” pela Ilha Norte que eu vou contar e colocar as fotos aqui depois .
Ele é oceanógrafo e mês que vem ele sai daqui de casa pra participar de um estágio/treinamento de 6 meses com construção de recifes artificiais em outras cidades da Nova Zelândia.
Já deu pra matar as saudades da NZ, dos amigos daqui e até coceira pra começar a planejar a próxima viagem.
Mas calma, antes vou terminar de contar o que aconteceu na última.
Bukit Peninsula, a meca do surf

No mundo do surf a busca da onda perfeita é como uma peregrinação que todos os anos faz surfistas de todo o mundo se deslocarem centenas ou milhares de kilometros longe do seu lugar de origem. Bukit provavelmente seja o destino de surf mais famoso da Ásia e naturalmente a economia da região gira em torno disso, você vê surf shops, fotógrafos, surf camps, oficinas de concerto, viagens de barco, restaurantes, música e é claro surfistas de todos os cantos do mundo, América do Sul e do Norte, Europa, Ásia, África e Oceania, todos em busca do sonho da onda perfeita.
Nós não abandonamos o blog, só demos uma pausa para viajar

Sim, nós já estamos no Chile, há quatro dias de terminar nossa viagem. Nos últimos 5 meses passamos pela Indonésia, Cingapura, Malásia, Tailândia, Hong Kong, Índia, Inglaterra, França, Espanha, Marrocos, Brasil e Peru.. Enquanto isso o NPLH está parado em Lombok. Mas por que paramos de escrever?? Ai vão alguns motivos:
- Quando resolvemos dar essa pausa já estávamos um mês atrasados na nossa viagem.
- Temos muitas fotos (muitas mesmo!), e selecionar as melhores para os nossos posts não é tarefa das mais simples
- Levamos em média 4 horas para escrever, traduzir, corrigir, diagramar e selecionar imagens para cada post e acreditem, parar durante 4 horas não cabia na nossa agenda, que era sempre cheia em cada um dos lugares.
- Passamos por muitos lugares remotos como Sul de Lombok, Deserto do Rajastão, Cordilheira do Himalaia, Deserto do Saara, etc. e nesses lugares quando havia internet (o que era bem raro!), ela era cara, lenta e de difícil acesso. Isso acabava nos atrasando mais ainda.
- Tentávamos tirar o atraso escrevendo mais rápido e acabávamos produzindo algo que não nos satisfazia completamente.
- Não fazia sentido estar viajando pelo deserto da Índia e escrevendo sobre as praias paradisíacas da Tailândia.
Depois de pensar muito decidimos que seria melhor esquecer a internet, aproveitar a nossa viagem, tirar muitas fotos e anotar os dados importantes no nosso caderninho. Depois quando terminássemos a viagem poderíamos rever todas as informações, dedicar mais tempo e escrever com mais calma algo que fosse ao mesmo tempo relevante para nós e útil para os que nos leêm.
Por isso sim, estamos super desatualizados.. mas estamos vivos e felizes da vida.. e de jeito nenhum vamos deixar de contar nossas histórias em detalhes. Desde o calor infernal de Cingapura, os trens da Malásia e da Tailândia com direito a gafanhotos fritos e militares armados nas ruas.. passando pelas praias de Ko Phagnan e a loucura de Bangkok, os 3 dias em Hong Kong e o melhor mês de todos na Índia, que não seria o mesmo sem a companhia do Duda (irmão da Cris) e da Drica que estão morando por lá e nos levaram aos lugares mais incríveis de um país que mais parece outro planeta.. as visitas aos amigos que moram na Europa, as duas intensas semanas no Marrocos, sem saber falar nem francês nem árabe. A chegada ao Brasil depois de 2 anos fora.. o Rio de Janeiro, que está mais lindo do que nunca… os dois meses em casa, Curitiba e litoral, com nossas famílias e amigos.. Natal, Ano Novo, o nosso casamento.. E por fim a espetacular Cordilheira dos Andes no Peru, onde estamos agora.. amanhã estaremos no Chile e semana que vem de volta a Wellington, nossa casa na Nova Zelândia, onde enfim vamos organizar todas as fotos e informações.. nada mais propício do que o inverno Neo-Zelandês para sentar na frente do computador e contar histórias!

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